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20 Nov 2008 - 13:15:24
Charles de Montesquieu
Nasceu no Palacete de la Brède, perto de Bordéus, em 18 de Janeiro de 1689 ; morreu em Paris, em 10 de Fevereiro de 1755.


Filho de um oficial da guarda do rei de França, neto e sobrinho de
um Presidente do Parlamento de Bordéus, ficou órfão de mãe aos 11 anos
de idade. O seu ensino básico foi entregue aos Oratorianos do colégio
de Juilly, localidade situada a nordeste de Paris, que frequentou em
companhia de dois primos, e onde lhe foi ministrada uma educação
clássica.


Regressado a Bordéus, em 1705, realizou os estudos jurídicos
necessários à sua entrada no Parlamento de Bordéus, para poder herdar o
título e as importantes funções do tio. A admissão como conselheiro
deu-se em 1708. Após a conclusão destas formalidades regressou a Paris,
onde concluiu os seus estudos jurídicos e onde frequentou assiduamente
a Academia das Ciências e das Letras. Regressou a Bordéus em 1713
devido à morte do Pai. Em 1715, casou com uma calvinista francesa, o
que lhe assegurou um valioso dote. No ano seguinte o tio morreu
tornando-se barão de Montesquieu e presidente no Parlamento de Bordéus.


Em 1721 publicou as Cartas Persas, obra que lhe granjeou um enorme
sucesso, e onde, aproveitando o gosto da época pelas coisas orientais,
analisou de uma maneira satírica as instituições, usos e costumes da
sociedade francesa e europeia, criticando veementemente a religião
católica, naquela que foi a primeira grande crítica à igreja no século
XVIII. Muitas das afirmações de Montesquieu serão «confirmadas» por
Edward Gibbon, quando este autor inglês publicou o Decline and Fall of
the Roman Empire, em que defendeu que a queda do império se deveu ao
predomínio da igreja cristã no Império romano, a partir de Constantino.


Em 1726 renunciou ao seu cargo no Parlamento de Bordéus, vendeu-o e
foi viver para Paris, preparando-se para entrar na Academia Francesa.
Aceite em 1728, viajou logo a seguir pela Europa, realizando assim o
seu Grand Tour, a tradicional viagem educativa dos intelectuais
europeus do século VIII. Regressou a França, mas foi para Inglaterra,
onde permanecerá durante dezoito meses.


Em 1731, após uma ausência de três anos, regressou a Bordéus, para a
sua família e os seus negócios, assim como para as vinhas e os campos
agrícolas à volta do seu Palacete de Brède. Voltará frequentemente a
Paris, onde teve contactos ocasionais com os célebres salons, mas sem
se ligar muito com o grupo de intelectuais que os animava.


O seu grande objectivo passou a ser completar aquela que será a sua
grande obra - O Espírito das Leis. Preenchendo uma etapa intermédia,
escreveu e publicou em 1734 a Causa da Grandeza dos Romanos e da sua
decadência, que não é mais do que um capítulo de apresentação do
Espírito.


O Espírito das Leis foi publicado em 1748, em dois volumes, em
Genebra, para evitar a censura, tornando-se um imenso sucesso, que a
sua colocação no Index romano não beliscou. A sua preocupação foi
ultrapassar as posições dos filósofos e utópicos que apresentavam as
suas teorias em abstracto e sem nenhuma consideração pelas
determinantes espaciais e temporais.


Os tempos que se seguiram estiveram longe de serem sossegados, sendo
as suas teorias atacadas tanto pelos jansenistas como pelos católicos
ortodoxos, como os jesuítas, mas também pela Universidade de Paris, a
célebre Sorbonne. Defendeu-se das críticas publicando em 1755 a Defesa
do Espírito das Leis. Entretanto ia perdendo a visão.


Morreu em 1755, quase cego, tendo recebido os últimos sacramentos das mãos de um padre católico.



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