QUER SABER TUDO E UM POUCO MAIS DO QUE ACONTECEU NO SECULO XVIII? ENTAO LEIA O JORNAL DAS LUZES E FIQUE POR DENTRO!!!
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- Novembro 2008 (4)
Constituinte, a Assembléia Legislativa, a Convenção e o Diretório.
O período da Assembleia
Constituinte decorre de 9 de Julho de 1789 a 30 de Setembro de 1791. As
primeiras ações dos revolucionários deram-se quando, em 17 de Junho, a reunião
do Terceiro Estado se proclamou "Assembléia Nacional" e, pouco depois,
"Assembléia Nacional Constituinte". Em 12 de Julho, começam os motins em Paris,
culminando em 14 de Julho com a tomada da prisão da Bastilha, símbolo do poder
real e depósito de armas. Sob proposta de dois aristocratas, o visconde de
Noailles e do duque
de Aiguillon, a Assembleia suprime todos os privilégios das comunidades e
das pessoas, as imunidades provinciais e municipais, as banalidades, e os
direitos feudais. Pouco depois, aprovava-se a solene "Declaração
dos direitos do Homem e do Cidadão". O lema dos revolucionários era
"Liberdade, Igualdade e Fraternidade", mas logo em 14 de Junho de 1791, se
aprovou a Lei de
Le Chapelier que proibia os sindicatos de trabalhadores e as greves, com
penas que podiam ir até à pena de morte. Em 19 de Abril de 1791, o Estado
nacionaliza e passa a administrar todos os bens da Igreja Católica, sendo
aprovada em Julho a Constituição Civil do
Clero, por intermédio da qual os padres católicos passam a ser funcionários
públicos.
O período da Assembléia Legislativa decorre de 1 de Outubro de 1791, quando
se dá a primeira reunião da Assembléia Legislativa, até aos massacres de 2 a 7
de Setembro do ano seguinte. Sucedem-se os motins de Paris provocados pela fome;
a França declara guerra à Áustria; dá-se o ataque ao Palácio das Tulherias; a
família real é presa, e começam as revoltas monárquicas na Bretanha, Vendeia e
Delfinado.
Entra o período da Convenção
Nacional, de 20 de Setembro de 1792 até 26 de Outubro de 1795. A Convenção
vem a ficar dominada pelos jacobinos (partido da pequena e média burguesia,
liderado por Robespierre), criando-se o Comitê de Salvação
Pública e o Comitê de Segurança Pública, iniciando-se o reino do Terror. A monarquia é
abolida e muitos nobres abandonam o país, vindo a família de Luís XVI a ser
guilhotinada em 1793.
Vai seguir-se o período do Diretório até
1799, também conhecido como o período da "Reação Termidoriana". Um golpe de
Estado armado desencadeado pela alta burguesia financeira marca o fim de
qualquer participação popular no movimento revolucionário. Foi um período
autoritário assente no exército (então restabelecido após vitórias realizadas em
campanhas externas). Elaborou-se uma nova Constituição, com o propósito de
manter a alta burguesia (girondinos) livre de duas grandes ameaças: o jacobinismo e o
ancien régime.
O golpe do 18 de
Brumário em 9 de Novembro de 1799 põe fim a Diretório, iniciando-se a Era
Napoleônica sob a forma do Consulado, a que se segue a Ditadura e o Império.
A Revolução Francesa semeou uma nova ideologia na Europa, conduziu a guerras, acabando por ser derrotada pela instalação do
Império e, depois da derrota de Napoleão Bonaparte, pelo retorno a uma
Monarquia na qual o rei Luís XVIII vai outorgar uma Carta
Constitucional.
Alguns pensamentos de Russeau:
- "O homem nasce livre, porém em todos lados está acorrentado"
- "A meditação em locais retirados, o estudo da natureza e a contemplação do universo forçam um solitário a procurar a finalidade de tudo o que vê e a causa de tudo o que sente"
- "E quais poderiam ser as correntes da dependência entre homens que nada possuem? Se me expulsam de uma árvore, sou livre para ir a uma outra"
| Em 1717, quatro lojas de pedreiros de Londres organizaram-se numa espécie de federação a que deram o nome de Grande Loja, elegendo um primeiro grão-mestre com autoridade sobre todos os maçons. Quatro anos mais tarde era redigido um primeiro regulamento e, em 1723, cometido ao pastor escocês James Anderson o trabalho de redigir umas "Constituições" que todos aceitassem. Anderson, com a ajuda de vários, incluiu no seu texto - ainda hoje venerado e respeitado por toda a Maçonaria -, não só os deveres e os direitos dos maçons, mas também a história lendária da nova Fraternidade.
Na década de 1720-1730 introduziram-se, por influência ou impacte directo britânico, as primeiras lojas maçónicas em França. O ambiente do "Século das Luzes" era extremamente favorável a tudo o que proviesse das Ilhas Brtânicas, então havidas como pátria da liberdade. A expansão das lojas foi tão fulgurante que, em 1742, elas atingiam já o número de 200, só em França. Oficialmente reconhecidas pela Grande Loja de Londres, contudo, bem poucas havia. É que, na França do século XVIII, a maçonaria escocesa tradicional iria sofrer profundas transformações que, a breve trecho, a tornariam quase irreconhecível, em face do modelo de origem. E de França, por seu turno, a Maçonaria, cada vez mais laicizada e filosófica, iria repercurtir-se sobre a Inglaterra, a Escócia e a Irlanda, como por todo o orbe civilizado de então, num gigantesco cadinho de interinfluências que a converteriam na summa universalista hoje nossa conhecida. Em França, igualmente, se definiram e estruturaram os dois ritos principais da Maçonaria de então e de hoje: o chamado rito escocês, primeira tentativa de Reforma institucional da Ordem Maçónica, a partir do "Discurso de Ramsay" - nome do seu autor, um cavaleiro escocês que viveu longos anos em França -, composto em 1736-1737 e publicado em 1738, com reformas suas em 1801-1804; e o chamado rito francês, segunda Reforma da Ordem Maçónica tradicional, criado em 1773 com a instituição do Grande Oriente de França, e dotado de estatutos formais e de corpos directivos. |
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| Nas décadas de 1720-1730 e 1730-1740, a Maçonaria penetrou em toda a Europa e fora dela. Foi um avanço de rapidez impressionante, que assustou sobretudo a Igreja. O Papa Clemente XII, logo em 1738, promulgou a primeira bula de excomunhão contra os pedreiros-livres. Mas a bula pouca impressão fez. Em alguns países, nem sequer foi promulgada. O número de maçons seguiu em aumento, para jamais se deter até ao nosso século.
É que a Maçonaria correspondia aos ideais e às preocupações do tempo. Tornara-se igualmente numa moda, que o seu carácter secreto e misterioso propagava. Todo o aristocrata, todo o clérigo, todo o burguês bem-pensante aspirava a fazer parte da instituição, que lhes concedia foros de homem corajoso e "avançado", cônscio dos problemas do tempo e desejoso de os resolver. As próprias mulheres conseguiram, mediante as chamadas lojas de adopção, participar nos segredos maçónicos. Como em qualquer seita religiosa, o facies exterior e ritualista atraiu legiões de adeptos. Espécie de anti-Igreja ou até de Igreja dessacralizada, purificada, racionalizada, a Maçonaria recebeu a inscrição de homens de fundo religioso mas a quem as religiões oficiais e tradicionais repugnavam pelo seu carácter dogmático e a-racional. Ao sobrevirem as revoluções Americana e Francesa, os pedreiros-livres eram já muitos milhares. Mas a acção directa da Ordem na feitura dos movimentos revolucionários não está comprovada documentalmente. A Maçonaria actuou por trás, nos bastidores, sobre o ideário e a actividade dos muitos pedreiros-lives que, integrados noutras organizações mais pragmáticas, lutaram seguindo a via revolucionário e política. Os ideais das Revoluções Americana e Francesa haviam sido, de facto, pensados, teorizados e expostos muito antes delas. E assim iria suceder, quase sempre, nas interligações Maçonaria-História. Prefiguração maçónica de ideais e de acções historicamente relevantes, encontramo-la desde a Revolução Americana ao movimento francês do Maio de 1968. Ligação directa entr eMaçonaria e esses movimentos, raras vezes é possível detectá-la. Desde sempre, a acção maçónica exerceu-se, sobretudo, nos indivíduos, e não nos organismos. |
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| Nos meados da centúria de Setecentos foram instituídas as chamadas lojas de adopção, destinadas às mulheres. Embora um dos landmarks britânicos fosse, exactamente, a exclusividade masculina, tentou ladear-se a questão por meio de um sistema dito "adoptivo". Qualquer loja regular "adoptava" uma loja feminina, que lhe ficava subordinada na essência. Mau-grado a hostilidade das obediências tradicionalistas, as lojas de adopção conseguiram desenvolver-se e persistir até aos nossos dias, por vezes com uma obra notável dentro dos mais puros ideais da Maçonaria.
As invasões francesas dos finais do século XVIII e começos do XIX contribuíram para uma maior difusão dos princípios maçónicos e das lojas que, por toda a parte, se fundaram por influência dos oficiais invasores, de Portugal à Rússia e da Suécia ao Egipto. O regresso a regimes reaccionários, que dominaram a Europa até meados do século, não enfraqueceu a Maçonaria, antes a estimulou, por lhe dar uma razão de combate contra a opressão e a intolerância. Uma das características fundamentais da Maçonaria, quer no século XVIII, quer no XIX, parece ter sido quase sempre a de se encontrar numa posição de vanguarda, antecipando-se às conquistas políticas e sociais do tempo. Não assombra, portanto, a ligação íntima entre Maçonaria e liberalismo monárquico, primeiro, radicalismo republicano, depois, e socialismo, por fim. |